Monday, October 30, 2006

Abstinência

Passo os dias e horas esperando te encontrar. Faço planos imaginários pra preencher o vazio e o incômodo que a tua ausência me causam. Tua ausência é sentida pelos meus cinco sentidos. Não basta te ver, mas te ouvir nem que seja apenas a tua respiração. Não basta estar perto se não for a ponto de te tocar, de sentir tua pulsação, de sentir teu cheiro e teu gosto.

Sinto falta do arranhado suave da tua barba em volta da minha boca de tanto a gente se beijar. Sinto falta do cheiro da tua pele na minha, de um roxo no pescoço que começa a desaparecer e do gosto do teu beijo. Sinto falta da tuas mãos na minha nuca e cintura puxando meu corpo junto ao teu. Sinto falta da tua língua quente, úmida e ousada.

Meu corpo sente falta do teu e não há como te substituir. É como deixar de fumar e chupar uma bala. Me viciei em você como quem se vicia com uma única dose. Talvez fosse entrar num estágio em que você não mais me saciaria, mas não abusei, não cheguei à overdose. E vivo uma crise de abstinência sem direito a desintoxicação.

escrito em 15/09/2004

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