Monday, October 30, 2006

Edredon

A gente se encontrou por acaso. Eu estava com um antigo colega e você sozinho. Você vestia um jeans e um moleton cinza. Você me olhou com um olhar tímido e disse que estava a fim de tomar um chopinho. Era tudo que eu queria (é claro!) mas por medo de me machucar, simulei um comportamento desinteressado, totalmente distinto ao seu, e convidei o ex colega de trabalho: "_ Vamos lá? Só pra acompanhá-lo?"

Pra minha sorte o ex colega havia percebido o clima e não topou. A gente se despediu e cada um de nós três seguiu numa direção. A noite estava chuvosa e fria. Eu dei alguns passos, mas por querer acreditar que você finalmente queria sair comigo, me virei e olhei para trás. Como se um gênio tivesse realizado meu pedido, você ainda estava ali, em pé do outro lado da calçada, olhando pra mim com um olhar carente. Só aí caiu a ficha, e eu acreditei no que estava acontecendo!

Eu atravessei a rua correndo, te dei um abraço e nos beijamos deliciosamente. Como eu quiz eternizar este momento! Como eu quiz que não acabasse nunca! Eu disse que te amava e te pedi desculpas por não ter entendido sua mensagem implícita, por ter te feito sofrer ainda que uns poucos minutos. E combinamos onde iríamos passar a noite juntos.

Chegando lá, uma apresentação de teatro (???), uma coisa surreal. Os atores ensaiavam para uma peça cujas falas eram todas rimadas. As rimas nos cansavam, e a gente tinha que esperar esses caras acabarem o ensaio para finalmente ficar sozinhos. Eu pensava: não pode ser verdade, eu esperei tanto por um sinal verde seu, e agora estes caras que não parecer estar com a mínima pressa de acabar este ensaio.

E o clima entre nós vai esfriando como a noite. Eu começo a tremer de frio. Me viro na cama procurando o edredon e desperto. Vejo que deixei o circulador de ar ligado e que o tempo virou no meio da noite, por isso a sensação de frio. Levanto-me, desligo o circulador e volto pra cama tentando voltar pro sonho. Mas o clima já havia acabado e fica apenas a lembrança de mais um beijo sonhado.

escrito em 30/09/2004

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