Há algum tempo teria publicado um texto que se chamaria "só queria ser chamada de Anginha", mas estava de férias, não tomei notas e o momento passou. Neste texto, na época super emocionado, eu diria:
Só queria que tu continuasses a me chamar de Anginha, pois chamando-me assim demonstrava-me a tua consideração. Ao me chamar de Anginha (e poucos amigos se dão este direito) trazia-me para perto de ti e fazias aflorar o melhor de mim, pois um carinho sempre traz à tona nosso lado bom. Ao chamar-me de Anginha, tudo poderia ter mudado entre nós, menos a consideração. Mas prefiriste me afastar de ti e sabias que ao me chamar de Angela estarias me magoando. E eu não entendi o porquê...
Agora, lendo uma descrição da lua em Escorpião (que já tinha me esquecido pois ando tão afastada da Astrologia e de tudo que é etéreo...) me deparo com o seguinte:
Tem um senso de lealdade acima da média, mas quando não é correspondido ou valorizado pode ser rancoroso e vingativo, usando a indiferença como arma.
E então me lembrei que fui eu quem te feriu primeiro. Fui eu quem te deu menos atenção do que esperavas. Lembrei-me de ti lamentando que eu não mais te fotografava, não mais te acompanhava na praia. E num círculo vicioso nos agredimos com palavras não ditas. Tu não entendestes que eu o fazia por amor à nossa cria. Como todo animal, precisei protejer àquele que era mais frágil e que não sobreviveria sem mim. E como o Sol é a razão pela qual estamos aqui, sou canceriana e minha missão é a maternidade. Não me arrependo do que fiz, mas se pudesse voltar no tempo faria diferente. Mas o tempo não retorna e como diria o filósofo, experiência é um farol iluminado para trás.
E do pouco que restou só queria a consideração de ser chamada de Anginha.
postado em 28/12/2004
Sunday, May 20, 2007
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