Sunday, May 20, 2007

sobre o conceito de felicidade...

Será que a gente vive uma busca incessante pela felicidade? E como somos exigentes, a felicidade total inclui uma série de fatores emocionais, materiais e espirituais, o que faz com a gente se distancie dela? Ou será que a gente confunde alegria, prazer com felicidade? Às vezes eu queria ser mais simples... Como os monges tibetanos que carregam aquele sorriso plácido num semblante tranquilo e não fazem a menor idéia se os juros estão subindo ou se a violência nas grandes cidades te faz prisioneiro. Nem estão preocupados com a celulite, a calça jeans que não fecha nem o bronzeado que se desbotou. Cor dos cabelos então, nem pensar! Às vezes queria ser assim... Mas nasci numa cultura que valoriza muito mais as coisas terrenas, sensoriais, do que as transcedentais. E o pior é que eu gosto muito destes prazeres mundanos. Gosto de comer bem, me vestir bem, frequentar bons lugares, assistir bons filmes, ler bons livros, conversar com gente culta e inteligente... Amo o mar!!!... Eu não iria funcionar no Tibet...

Qual a sua definição de felicidade? Quando foi que você se sentiu plenamente feliz? Às vezes a gente fica na dúvida, confunde felicidade com prazer imediato e se sente injustamente infeliz quando está apenas frustada com alguma situação. Mas acho que nosso coração pode nos dizer claramente quando estamos tristes ou felizes. Se houvesse um índice para medir a felicidade acho que o coração seria capaz de reajir e nos avisar quando o índice de felicidade estivesse menor do que o desejável.

Uma vez tive que fazer um mapeamento cardíaco para verificar umas arritmias. Nada mais era do que meu coração me avisando que com tanto estresse do dia-a-dia ele não sabia em que ritmo bater, ou seja ele não estava nada feliz. Eu não estava nada feliz... Mas descobri uma coisa interessante no resultado que me pôs para pensar. O exame consistia em monitorar e tentar correlacionar as arritmias com os fatos do cotidiano narrados em um relatório minucioso onde me preocupei em descrever cada uma das minhas atividades por 24h. Lembro de ter anotado que levei um susto com uma explosão na rua, mas no exame, meu coração não esboçou reação para tal. Lembro também de ter anotado uma discussão com meus pais e ter pensado"os médicos vão me achar uma neurótica", mas também aí, meu coração não se alterou. As arritmias surgiram é claro, mas "não estavam relacionadas aos fatos relatados pela paciente". Meu coração não é bobo e estava preparado para sustos e aborrecimentos.

Mas uma coisa meu coração soube manifestar claramente. O momento de maior tranquilidade de acordo com o exame, de batimentos cardíacos mais baixos, não se deu durante o sono como com a maioria das pessoas, mas sim no final da tarde quando eu estava brincando com a minha sobrinha que na época tinha uns 04 anos. Tão simples não? Apenas ter me desligado do corre-corre e ter me conectado com o mundo infantil, seu universo de fantasia livre de problemas foi capaz de baixar meu batimento cardíaco. O que será que meu coração quiz me dizer com isso? Quantas vezes a gente não perde uma oportunidade com nossos filhos, sobrinhos, afilhados, netos, porque está cheio de problemas e não consegue se conectar com eles? Pensem nisso da próxima vez antes de desperdiçar uma oportunidade maravilhosa como estas. As crianças têm muito a nos ensinar e nos surpreendem com sua sabedoria a cada fato como estes.

postado em 17/11/2004

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