Sunday, May 20, 2007

Qual a graça de um coração vazio? Melhor um coração partido, dilacerado do que um coração frio que nunca conheceu o amor. Melhor um coração apaixonado, por um amor platônico que seja, do que um coração que não se altera, não se emociona, bate no mesmo ritmo como se fosse uma máquina programada.

Corações não foram feitos para pensar, não foram feitos para ponderar, deixam isso para o cérebro que tem mais com o que se ocupar. Corações foram feitos para bater, acelerar, prender o ar, arrepiar, emocionar, esquentar, encher a gente de alegria, fazer a gente ficar com cara de boba, com um sorriso que não tem explicação, e um brilho constante no olhar.

É o coração que faz a gente acordar e ver o sol e ficar radiante achando que o dia vai ser maravilhoso, só porque está fazendo sol lá fora. É o coração que faz a gente não ligar pro saldo negativo no banco e confirmar o programa do fim de semana. É o coração que nos pede champagne, vinho branco, foundue, morangos, cerejas, comida italiana, francesa, tailandesa... O cérebro se contentaria com uma barra de aminoácidos e um copo d'água.

O coração é uma criança travessa. O cérebro é um senhor de idade. O coração arrisca, o cérebro pondera. Às vezes o coração é o diabinho atentando na nossa cabeça, e o cérebro é aquele anjinho já cansado de avisar. Mas quem aprende sem viver? Escute os conselhos do cérebro, mas siga os impulsos do coração.

publicado em 05/11/2004

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